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| Deus inventou triste. Outra fonte não tem a tristeza do homem. |
Porque quando me faço poesia Ponho-me inteiro Exposto impenetrável Austero como as palavras Porque quando me faço poesia Ponho-me a fragilidade em xeque E roubo-lhe a beleza roubo-lha inteira Porque ao ser poeta Eu justifico humanidades A minha e a tua Porque no corpo humano do poeta há um deus que dorme nu cercado de almofadas e fragrâncias E este deus infante sonha em verso O poeta quando vem à pena cuja tinta e o sangue palpitante de sua veia O seu corpo sente angústia E su'alma sorri.
Escrito por Conrado Segal às 11h48
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http://www.erabriluz.blogspot.com
Escrito por Conrado Segal às 12h11
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Calma e profundamente ela passou pela sala.
Seus olhos tentaram avisar sobre meu desejo, mas diante dela, tão indecifrável, tudo se distorce. Suas mãos, pequeninas e absolutas, ditaram, ao gesticular, o enredo destas palavras.
E tudo era então só melodia.
Não sei que pensamentos, não lhes achei um acorde. Inventei, pois, eu um: púlpidos. Bem que eram pensamentos púlpidos. Acho que tal qual seus seios; púlpidos e derradeiros.
Devo dizer que por muitas vezes eu lhe faltei com lirismo. Mas sei que já fui perdoado.
Se fui ou se eu vim quando disse não ou sim, (tudo é ela) minha vontade nunca importou de fato.
Escrito por Conrado Segal às 22h01
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Misto de agonia e perplexidade alheio à vontade que toma-me o ventre quando defronte beleza estandarte
Contemplação.
Mente demente Eferma mente Saber inconsciente Coração
Desprendimento: deixar de ser peso entregar-se
Integrar-se ao momento
Sê-lo
à purpuridão...
Escrito por Conrado Segal às 09h33
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Caderno Paleta Tanta borboleta
Já se foi e eu fiquei por aqui Só depois foi que me apercebi.
Escrito por Conrado Segal às 16h07
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Há muitas outras coisa que nem sei
O Sol brilha cheio de vida Vibrante, fervente Encontra em cada superfície a resposta exata
A Chuva cai piedosa Com sutileza e dedos delicados. Meus olhos neutralizam-se e embaçam-se Pois a alma vê mais longe e melhor Olhos não vêem dedos da chuva
Meu sorriso deixou de portar lábios e dentes. Porta agora luz. A mesma luz robusta e inexorável do Sol.
Quantas vezes estive diante da poderosa melancolia das flores e suas pétalas-momento, e não senti por elas pois minha alma já viu o ventre maior. A flor cujas pétalas jamais cairão.
(E os homens, coitados têm alma e são cegos. Têm olhos e choram. Mas têm sorte de enxergarem as flores e a luz.)
E há muitas outras coisas que nem sei...
Escrito por Conrado Segal às 12h36
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Caminhava sem rumo pelo mundo mergulhado no estado profundo de minha habitual solidão. A sentir saudades da cidade sem pressa.
O coração ia insipiente A mente qual sempre ia em profusão. Os meus olhos iam tão distantes que eu já não lhes sabia a visão
Mas eis que ao trazê-los para perto por uma casual distração Avisto a beleza em pessoa humana Servindo café a pessoas mundanas A sorrir - inconsciente do seu estado de graça absoluta.
(Eis-me aturdido eis-me impactado)
Seus braços arquejavam-se com a elegancia de um Cisne Seus olhos - dois lagos noturnos - banhavam-se em frescor juvenil e abrigavam versos escondidos
Em seu corpo esculpido de mulher que deseja Moviam-se fatalidades curvilíneas Disfarçadas de um descompromisso infantil
Quis imediatamente sentir-lhe a textura das mãos Quis cheirar seus cabelos Quis beijar-lhe as pálpebras Quis ouvir historias de sua infancia E tatear seu semblante com a ponta do meu nariz
Sim, eu quis possuí-la ali mesmo no chão.
Confesso que quando não estou a sua palpitante presença A lembrança de sua imagem turva-se (ora, não são mesmo os sonhos sem tal nitidez?) Seja porque beleza tão densa não possa ser plenamente enxergada com os olhos apenas necessitando amiude do auxílio da alma?
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...e a cada vez que torno a contemplá-la surpreendo-me como à primeira vista por descobri-la ainda mais bela que à vespera.
Escrito por Conrado Segal às 10h11
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Sussurro
A Vida é um curto brilho Um piscar Instante carregado de clareza
(A Vida é um instante intenso)
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O Universo é imenso Maior do que se possa imaginar Repousa no limite espaço-tempo
Ele nos concebeu Tão breves e pequenos Para que percebamos a elegância do Momento
(O Universo é vivo)
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Fogo não é matéria não é sólido nem gás tampouco líquido o Fogo e a Leveza
O Fogo é ciclo, é transição simples e singular puro fenômeno
(A Vida é combustão)
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Não mais que um instante Não mais que um detalhe, um capricho Toque de bom gosto, nota de improviso Um brilho que faz toda a diferença
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A Vida segue o curso retilínea e lenta
O Universo gira numa rapidez violenta
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e a vida se se esgota em delicadeza...
Escrito por Conrado Segal às 19h55
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Fotografia
Pois quando ficavas Porque tu ficavas O meu jardim se coloria
E a Tarde brindava Gotas de Amarelo O Amor que nos enrubescia
E o Sol, respeitoso Nos reverenciava, garboso E se retirava Deixando um presente Uma réstia de luz Em olhos ardentes
E os girassóis Passavam a flertar contigo
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E tudo era Paz E tudo era Luz
Escrito por Conrado Segal às 23h20
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Vênus tão Densa
é pelo que me representa que eu escrevo e pela mesma mão eu quero concebê-la eu satisfeito exponho aqui minha fraqueza é pelo Não que o verso adquire destreza
eu quero esculpir suas cores, frente e verso quero imprimir minha volúpia com clareza delinear o espaço certo p'ra contê-la e assim satisfazer o meu desejo impresso
eu ofereço-lhe um cardápio de delícias há pratos quentes, temperados com malícia servida crua a minha carne em sua mesa e beijos fumegantes para a sobremesa
tu és a terra fofa que germina tudo tu és a folha que da luz faz flor tão bela e quando és flor tu és a mais bonita delas
entretando, se fores fruta a polpa mais doce do mundo será a tua
eu temo o momento de do olfato falar odores impossíveis de verbalizar mas o teu cheiro tem textura tão intensa que só à tua pele eu posso comparar
foste escolhida para ser Vênus tão densa e condenada a uma cruel delicadeza que bruta(l)mente ativa todos os sentidos e decodificá-la faz-me sentir vivo
é porque tem todo o talento da beleza porque tem profundidade como a tristeza é que eu anseio pelo instante de perdê-la p'ra tê-lo tido - o privilégio de sabê-la
Escrito por Conrado Segal às 19h41
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Pique-esconde
O Poeta estava escondido à espreita do Verso, que conta até dez Mas este, disperso, nao acha o bendito que espera o momento oportuno e aguça a visão.
O Poeta impaciente sai do esconderijo E vai, sorrateiro, na ponta dos pés Bater o seu pique, mas nao tinha visto Que o verso lá estava, guardando-caixão.
O Poeta protesta, tenta argumentar Mas as palavras, que ainda escondidas, Não apareceram a tempo de ajudar E mesmo elas sendo dele tão amigas é pelo verso que vão advogar
"Um, dois, três Poeta!" E o Verso gargalha E agora é a vez de o Poeta contar Contar até dez, e então procurar os seus amigos que escondidos aguardam.
Além do Verso - amiguinho sacana E das já citadas amigas Palavras O Poeta ainda terá de encontrar A métrica, a rima, e o tema (que é sempre um problema)
Mas o Poeta não é bom no jogo Prefere esconder-se do que ir procurar E o verso é sempre muito mais criativo Se mete num canto e ninguém vai achar
O Verso é sempre quem encontra o Poeta quem é distraído e tem algo de louco O verso, que é esperto, prega-lhe uma peça E o poeta tolo retoma o contar...
Escrito por Conrado Segal às 11h04
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E meus monstros se revelam
Sobre tuas coxas repouso meus sonhos sentindo-lhe o odor fresco de mulher vislumbro tua face como Ele um dia de pé vislumbrou Sua criação - nós, Seus monstros
Mariana - sorri, resmunga, geme (e como o faz deliciosa) em delícias também morrem tuas carnes
desde sempre, asseguro o meu olhar-te se transforma em lamber-te na vastidão etérea dos meus sentimentos indizíveis (imortais também eles são) sou, como tu, vítima do meu desejo
E que, além de tudo, tua alma me toca, não sem bem por quê transcendendo o querer e tornando-se impulso
Peço, por conveniência jamais arrependido, porém perdões por, à fêmea absoluta que és não resistir (sendo humano) e me deixar levar fluidez da minha volúpia.
Escrito por Conrado Segal às 00h30
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Carolina Minha
Ai, Carol, por que você é assim? Por que não escolhe a mim? Por que não me contamina Com seus lábios de beija-jasmim? Ensine-me sua sutileza sem fim
Ah, Carol! Quanta poesia Há nos seus gestos Carol, meu farol Meu deserto Tem cor de alegria Quando você passa ao sol
Carolina Que nos seus olhos firmes Guarda todo o amor Que me existe E a dor Que antes a mim Deixava triste Hoje insiste Em querer seu calor Carolina me passa Reluzente, na massa E eu fico a boqueabrir-me
Carolina domina Com andar de menina O desfile daquela esquina Da passarela da vida Carolina é a estrela mais fina
Carolina bem quer Com seus dedos de mulher Levar-me à loucura E além Carolina não tem Dó de ninguém E em todos que com ela cruzam Carolina enxerta um amor sem futuro Carolina, eu lhe juro Que a você eu 'inda pego de jeito E faço do seu peito o meu leito Carolina, minha musa, Eu ainda lhe deixo confusa.
Mas como a realidade é injusta Suportar a saudade me custa E depois de todo esse penar Carolina me custa a chegar E quando aqui está Dá-me um 'oi' e já foi! Carolina, eu mal chego e a vejo E o meu coração pede arrego Pois que estou preso ao desejo De um dia, quem sabe, haver nós dois
Carolina é a flor Que me acorrentou Ao depois
Escrito por Conrado Segal às 22h35
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Vá-se embora, mulher! Pois já não suporto o até E em espaços infindos de tempo Guardar o infinito nojento Num miúdo coração
Pois sim, vá-se embora mulher! Mate-me de vez com um adeus Não me morra aos poucos com seus fartos beijos - Esses lábios que só fazem queimar aos meus Tanta exatidão não é permitida
Escolha seu destino, mulher Compreenda o que é belo (e todo seu) Ou vá-se logo embora Para que o nada me retorne em paz.
Escrito por Conrado Segal às 23h07
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Cruduginia
Quereres pérvidos do estranho Bem Formas que se avolumam há no plácido limbo de algum plano. Existir no braço do fogo algoz de se estar sempre aquém.
Depauperado em vil-devasso verso Que às pressas teço em traço triste; um gesto. O baluarte entre o imenso espaço e o pecado que eu em castigo expresso.
A rosa rubra desabrocha fria E sua à noite no toque do amado Despetalando - movimento arfado
Estar em ti não sem melancolia Entenrecer beijando a simpatia Da vulva crua num coito esgotado.
(2005)
Escrito por Conrado Segal às 01h57
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